29/08- Mundial de Parapente em Montalegre

Acompanhe um pouco do que foi o Mundial de Parapente em Montalegre, Portugal, através das palavras do vice-campeão do Mundo Frank Brown

Preparação

Chegando em Montalegre estava rolando o Open Nórdico. Eu e o "Preguiça" já  estávamos em clima de competição, pois havíamos chegado de La Clusaz , na França,  onde  aconteceu a quarta etapa do Paragliding World Cup - PWC-, que foi muito importante para aquecer as turbinas .

No Open Nórdico foi super importante ter voado. Melhor ainda, perdi o avião sábado de Genebra pra lá e, não chegando para o primeiro dia da competição, não me inscrevi e decidi voar como biruta oficial. Assim sendo, fiquei bem relaxado e pude testar muitas coisas, como voar bem pesado em condições leves, já que teríamos este tipo de vôo no início das provas e também porque seria a maior correria e precisava estar pesado para voar rápido. Pude testar também se voar baixo e de forma agressiva seria uma boa opção. Vi que não funcionou, pois assumi riscos desnecessários e outros pilotos estavam voando tão rápidos quanto eu, mas voando mais alto e sem risco. Testei chegadas baixas no gol , para ver como rendia, e vi tamben que não valia a pena. A condição difícil de prever poderia te jogar no chão e ficar antes do gol.
Eles estavam usando gol por setor, como se fosse pilão, com 400 m de diâmetro. Funcionou muito bem. Quem sabe deveríamos testar por aqui . Funcionou muito bem principalmente para mim, pois matei duas provas. Uma delas cruzei o ponto 0 a trinta metros de altura e outro dia fiquei a 60 m do centro. Em outra prova ainda fiquei em 10º a 380 m do ponto 0 - se fosse faixa estava perdido.
De qualquer maneira é muito mais fácil voar sem estar inscrito, sem a menor responsa .

As Velas
 
Estavam todos curiosos para ver o rendimento das novas máquinas. A vela nova do Bruce,  com a  selete irmã da Isabel Cristina do Modelo, dizia estar com  11 de  L/D. O Gradient Avax RSE prometia. A nova vela da UP, que o Alex Hoffer está voando também. O Windtech Nitro, os Ômega 6 e o Boomerang, mais afinado que nunca. Seria uma grande batalha !!!! 
O resultado é que as velas em geral estão muito boas, cada uma com  o seu ponto forte.  No caso da UP, o ponto mais forte, sem dúvida, é o Alex. Ele está voando muito. Brincadeiras à parte, o UP está muito parecido com o Boomerang, porém acho que está mais difícil de girar. Dá para ver a vela entortando na termal, como o Kripton fazia .  Acelerado está mais estável que o Boomerang, porém quando fecha ... gravata,  muitas células fechadas na ponta, muito peso, então ....
 O Gradient está rendendo bem também, porém via o pessoal tendo certa dificuldade para subir, não sei .. . teria de testar mais. O Joos Achim estava muito bem na competição, deu um vacilo um dia e pousou no pé da rampa. Coitado,  se isto não acontecesse estaria entre os primeiros .
  O Boomerang 3 está muito gostoso de voar, mais estável que o 2, mais fácil de subir, mais estável acelerado. Os colapsos, normalmente de 30 a 40 % , são fáceis de sair. Nem tirava o pé do acelerador, só deixava girar um pouco e enfiava a mão. Em térmicas, é impressionante como não  entra em spin. Pode levar a vela onde quiser, diferente do Boomerang 2, o qual já negativei várias vezes  teimando com a vela e a condição. O três não "senta " como faz o  2, ele adquire velocidade mais facilmente, saindo mais rápido do spin. Em colapsos de 60% a 70%  não perde  velocidade, voando imediatamente. A  velocidade final e planeio em todas as velocidades são muito parecidas. Resumindo... horas e horas de afinação ...  que continuam acontecendo ... valeu  Gin , Oggi , Bollinger, Jimmy ... obra de arte  o Boomerang 3 .   
 
 A galera

A equipe Brasileira estava Super boa. O pessoal entrosado, cada um com seus fricotes e manias, porém o respeito era mútuo. Só não sabia se  duraríamos mais 15 dias juntos. O macarrão com atúm do Bafinho era terrível, sem falar dos tênis dele.... arma química !!!
 Bobeiras à parte, fomos todos muito bem. O Bafinho, Cainho, Móca, Seco, todos estavam muito a fim de se dar bem e muito motivados. Fiquei impressionado em ver sempre algum Brasileiro no primeiro pelotão. Acho que só faltou mais treino em competições internacionais para pegar ritmo, saber usar toda a velocidade da vela e acostumar a voar com os melhores do mundo sem ficar intimidado e saber dosar os riscos - o que acho mais difícil. Foi uma pena  a Maílcar e o Preguiça  não terem  conseguido se inscrever. Estão voando bem. Agora é pensar em Goval 2005!!
 Temos um certo tempo para o mundial no Brasil , ate lá garra total para sermos os primeiros por times e individualmente . 

O início

A prova tinha cerca de  50 km. Saímos de Montalegre, a  rampa oficial, até o aeroporto de Chaves. A prova toda foi lenta. Primeiro dia, todos cautelosos para não pregar e sair da competição antes mesmo dela começar. Optei por voar não muito pesado, cerca de 120 kg. Funcionou no início, porém na chegada do gol tínhamos de andar sobre uma cordilheira de 10 km, sair dela e seguir para o gol, a 4 km. A prova toda foi ralada, quando chegamos na cordilheira apareceu uma bruta convergência e formou tudo no caminho. Desespero total. Correria louca. Quando tirei para o pilão, o vário marcava que chegaria lá com 50m de altura, só que nesses 10 km na cordilheira foi bombando tudo, 3, 4 ,5 m/s, não consegui acelerar como os outros - estava com o Jimy Pacher, Hoffer e outros. Naquele dia senti que teria de enlouquecer nas chegadas, pois as provas poderiam ser decididas somente na velocidade final. Cheguei muito mal, em 22º, mas apenas 3min30seg atrás dos vencedores Lausch Norman e Felipe Karam e fiz 910 pontos.
Teria de fazer algo para ter uma chegada mais rápida. No outro dia voei mais pesado, 123 kg,  já no limite legal de 33 kg de equipamento. Ajustei o acelerador para ter mais full speed e soltei dois dedinhos de trimmer.
 Aproveitei a ocasião e fui perguntar ao Norman, piloto de testes  da Gin, como ele andava tao rápido. Vi que seu acelerador era mais longo, andava de trimmers todo solto e pé no fundo. Não gostei ... Ele estava com velocidade máxima de quase 65 km. Muito rápido. Na saída de um front stall, em full speed , o Norman me disse que a vela desapareceu para trás, houve uma reabertura violenta e a vela deu um looping involuntário. Até agora não sei se foi verdade ou se ele estava a fim de me assustar. Só sei que  não tinha coragem de fazer o mesmo. Acho que não vale a pena. O mais importante é sentir a pressão no pé, prever o colapso e testar o limite. Se não estiver tomando nenhum pau, é porque está lento .  
Fiquei muito preocupado pensando se conseguiria andar tão rápido. Felizmente, nas outras provas, consegui me encontrar e andar mais rápido que a grande maioria. Fiz algumas chegadas com o Tâmeger, Joos Achim, Jimmy Pacher, Torsten Sieguel  e estava  bem equilibrado ou um pouco  mais rápido. Até com o Norman estava andando igual. Fiquei  feliz e vi que dava para dar muito trabalho. 
Tivemos ao total seis provas válidas, de dez previstas. Até que foi razoável. Se não fosse a decolagem de Chaves, acho que teríamos somente umas três ou quatro provas.

As provas

As provas que mais me marcaram foram a quinta e a Sexta.
A quinta prova foi um speed run  a favor do vento, com 44 km. Muito curta para a condicao. Chegaram ao gol 115 pilotos. Completei o trajeto em 46 min, 2min a mais  que o vencedor.
A condição estava dificil de subir,  não escolhi  o momento muito bom para sair e demorei para chegar na base, o que acabou sendo muito bom, pois a condição deu uma respirada e depois melhorou muito. Azar de quem saiu na frente, como os resto da equipe brasileira, do Tameger, do Nicolai  e outros que estavam na minha frente na classificaçnao geral. Mais  azar ainda do Joos Achim e do Jean Marc Caron, que não chegaram  ao gol. Deu pena de verdade deles, apesar de ter sido bom para mim, vi a tristeza que ficaram.
Durante a espera na base da nuvem  foi muito engracado ver  pilotos extremamente  rápidos fazendo hora, muita hora .... Rolou tanta gozação na base. Alguns imitando galinha,  alguns fazendo acro, tinha gente indo e voltando escondido para fora do start. Até o Hoffer entrou no clima.Estava em contato com o Bafinho, que já estava no gol, e ele me disse que havia uma Cloud Street  até o gol. Fiquei louco para ir, mas...
Finalmente o pelotão resolveu ir e foi um Deus nos acuda, uma correria louca. A minha média foi de 54 km/h. Andei muito tempo acima de 90km/h,  a máxima foi de 95 km/h. Fiquei em 9º nesta prova. No gol, fiquei sabendo do drama do Seco, que pousou de cauda a uns 50 km/h e passou somente 5m a faixa, o que só foi comprovado na marcação do vôo, pois pousou ao  lado da faixa e não a cruzou. Felizmente funcionou, ele fez um ótimo tempo, sendo um dos mais rápidos do seu grupo. Neste dia  todos os Brasileiros foram bem,  estávamos ficando cada vez mais animados e eu passei de 7º  para 2º. Foi uma festa tremenda !!!!

A Sexta prova, que acabou sendo o último dia, foi uma  loucura. Também foi speed run e ninguém queria sair na frente. Porém, a prova tinha 100 km e não podiamos demorar. A condicao parecia ótima até o meio do segundo pilão, cerca de 30 km de vôo, uma antena maldida que tinha vento contra muito forte e sem termais .
Estava de olho no Hofer na hora do Start. Ele partiu e decidi partir 5min atrás. A condição estava somente melhorando e sai a mil, com uma galera junto. Como  o limite das nuvens, que era uma grande convergência, parou a cerca de 15 km do pilão, todos ficaram embolados e meu grupo todo pegou o primeiro grupo, significando que estava quase 5 min  a frente do Hofer, portanto, com grandes chances de ganhar o mundial .
Um pequeno problema: O pilão estava quase impossível de ser feito. Indo para lá, os grupos foram se separando. O grupo do Hoffer ficou em outra térmica que  rendeu menos e me vi longe dele e na frente, porém a condição estava muito dificil e não sabia se era melhor me juntar a ele ou manter a frente que tinha. Dúvida cruel .
Resolvi abandonar o suíço  e fazer meu voo, pois ele estava numa péssima posição. Fui em direção ao pilão, todo acelerado andando a 20 km/h e afundando tudo. Todo o meu grupo começou a dispersar e pousar. Peguei uma bolhinha salvadora, a 150 m do chão, quando estava a 5 km do pilão e, depois de muita batalha, voltei a ficar alto, com 1300m, mas a 11km do pilão, socorrrrooo ....
Resumindo, depois outras tentativas e só ficando mais longe, rosolvi dar a volta numa montanha e tentar pelo outro lado dela. Quase fui para pouso, um vento muito forte, entre 30 e 35 km/h  contra e só aumentando. Vendo a galera toda pousando, consegui ficar a 4,5 km do pilao mas fiquei liftando a 100m. Depois de alguns minutos chegaram o Scoth Marion, Oggi , Rene Houser, suiço , o Santiago do Mexico e outro japonês, o Tadano Shoichiro. Foi muito engraçado todos liftando a espera de alguma térmica as 5h30min da tarde. Uma bolha mágica veio e nos tirou do buraco. Valia a pena enroscar, pois estava subindo a mais de 4 m/s. 
Eu e o Scoth  saímos no  meio da termal para pegar ela ainda forte na frente e tentarmos avançar. O Scoth caiu da linha da termal, demorou  alguns segundos para notar, perdeu cerca de 150 m  e não conseguiu  pular para a montanha da frente, uma loucura, todo aquele vento, tomando pau e acelerando tudo. Quando passei a montanha, peguei algumas bolhas fortes e me juntei a dois autríacos, que estavam mais alto. Fomos para o pilão e acabei ficando a 1,5 km do raio e os austriacos a 1km .
Na pontuação descobri que por causa do sistema gap, naquela prova cada quilômetro estava valendo quase 100 pontos. Assim, se voasse 1km a mais estaria em 1º, mas se voasse menos trêss km estaria em 3º, sufoco total !!!

Resultado Geral

Com um pouco de preparação acho que os Brasileiros estão com grandes chances de serem campeões do mundo por equipe e individualmente no próximo mundial em Governador Valadares. Quem está a fim, deve se lembrar que a corrida já começou com a disputa das vagas para a equipe do próximo Mundial .... 
Quem ganhou foram os Suiços, porém a festa foi toda dominada por nós. Brasil sil sil sill......

Frank Brown



Autor:  Caio Salles
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